Slayer + Ungodly
06/09/2006
Local: Rio de Janeiro/RJ - Fundição Progresso
Nem a chuva e o frio espantaram os fãs cariocas da última apresentação do Slayer no Brasil. O clima sombrio que percorria a Lapa (local do show) trouxe um verdadeiro mar de fãs, foram mais de quatro mil pessoas que presenciaram o inferno que se instaurou na Fundição Progresso.
O Slayer não vem ao Rio desde 1994 quando tocou na primeira edição do Phillips Monsters of Rock em São Paulo e depois deu uma esticada até o Rio tocando com o Suicidal Tendencies no antigo Imperator no Méier. Em 1998 a banda retorna ao Brasil, para serem headlines no Phillips Monsters of Rock, porém só tocam em São Paulo. Mas essa noite era mais do que especial, teríamos a formação original, ou seja, Dave Lombardo, responsável pelas baquetas dos primeiro cinco e maravilhosos álbuns da banda.
Mesmo com um atraso siguinificativo, o público estava tão animado que não percebia o tempo passar. Na platéia ouviam-se alguns gritos típicos do Tom Araya no começo da carreira e muitos desses gritos ainda foram aplaudidos pelo público, tamanha a similaridade com o original. Essas brincadeiras e o coro chamando a banda só fizeram aumentar a expectativa para a noite.
Por volta das 22:00 sem mais nem menos vi Jeff Hanneman, Dave Lombardo, Tom Araya e Kerry King cruzando o corredor em direção ao camarim, estático e sem o que dizer, acompanhei os quatro com os olhos estatelados. Trancaram-se no camarim superior e de lá só saíram quando começou seu próprio show.
Como foi altamente divulgado, os baianos do Ungodly foram incumbidos de abrir o show do Slayer em São Paulo e no Rio. E o death metal nacional não fez feio. Com um pano de fundo impresso em lona e com uma resolução da capa do primeiro álbum de altíssima qualidade, a banda entrou com a corda toda. Seus músicos, todos muito competentes, mas sem dúvida o destaque maior e para o baixista Joel Moncorvo e o baterista Thiago Nogueira detonaram as musicas de seu primeiro trabalho para quem quisesse ou não ouvir. Parte do público que estava na grade foi ao delírio com o death metal técnico da banda. Mesmo com o som da casa não ajudando, o Ungodly mandou muito bem com: “Murderes in the Name of God”, “Possessed by the Lie” e “Hate Celebration”.
Mais uma longa espera e o local enchia mais e mais. E foram só as luzes se apagarem que o público enlouqueceu e a intro “Darkness of the Christ” então é entoada seguida de Disciple (God Hate Us All – 2001). Desse ponto em diante, com os quatro ilustres e únicos reis com doutorado do thrash metal no palco foram os momentos mais felizes de todos que ali estavam.
Nem o som péssimo do início do show, nem o excesso de fumaça (que deixaram muitas fotos ruins) foram capazes de estragar a noite. Ao contrário ter a oportunidade de estar embaixo do Tom Araya enquanto ele gritava “War Essemble” será um momento único na minha vida. Ter feitos fotos que eu só via em revistas e nos encartes dos cds também serão inesquecíveis. Enquanto eu fotografava o show e via a expressão de Felicidade dos fãs na primeira fila e a reverencia dada por Nathan Thrall (ex- Avec Tristesse) para Tom Araya enquanto o fotografava me deixava cada vez mais eufórico.
Aquela noite que antecedia a nossa independência na verdade serviu para nos deixar de alma lavada, nós cariocas precisávamos de um show como aquele, já havíamos perdido Paradise Lost, Wasp e Cradle of Filth. Uma noite que teve metade do Season in the Abyss ao vivo, só poderia ser especial mesmo. Não vou falar das músicas novas que foram algumas, mesmo o novo trabalho da banda ser uma maravilha, mas presenciamos clássicos tocados com a mesma empolgação e com o mesmo gás que ouvimos no Decade of Agression, por exemplo.
O Slayer ao vivo funciona como uma maquina, com todas as peças muito bem encaixadas e parece que a idade só tem feito bem a cada integrante, Kerry King não mudou nada suas performances teatrais, muito menos Tom Araya que agitou feito louco e com suas brincadeiras sarcásticas com o público. Lembro-me que certa vez em um vídeo da banda Tom deu uma rasteira em um fã que se preparava para um stage diving, o pobre coitado se esborrachou no chão enquanto o baixista saia rindo do seu feito, pois bem na apresentação aqui do Rio ele não fez nada parecido, mas algumas brincadeiras foram bem típicas do chileno, como quando ofereceu uma paleta para um determinado fã na platéia e fingiu joga-la em sua direção quando na verdade a jogou para o lado. Em Angel of Death enquanto todos esperavam ansiosos pelo seu berro, Tom simplesmente ensaiou dar o berro, mas deixou o pepino na mão do público. Mas ele sabia que estávamos todos animados e ensaiados, tanto que boa parte de “Season in the Abyss” foi cantada pelo público. Agora cá para nós, o Kerry King na sua frente com um bracelete cheio de pregos é amedrontador!!!!
As mesmas frases que antecedem, por exemplo “Postmortem” deixam qualquer um atônito, o mesmo estilo de tocar e cantar, as mesma empolgação vista em em vhs, dvds e fotos, foi comprovada por todos e mesmo assim ficamos extasiados com o que vimos.
E passando pouco mais da uma hora da manhã depois da banda finalizar o massacre com “Rainning Blood”, “South of Heaven” e fechando com chave de ouro e quebrando mais alguns ossos que teimavam em ficar colador a banda detona “Angel of Death”.
Set-list:
01) "Darkness Of Christ"
02) "Disciple"
03) "War Ensemble"
04) "Blood Red"
05) "Die By The Sword"
06) "Spirit In Black"/ "Hallowed point
07) "Cult"
08) "God Send Death"
09) "Mandatory Suicide"
10) "Seasons In The Abyss"
11) "Chemical Warfare"
12) "Hell Awaits"
13) "Postmortem"
14) "Silent Scream"
15) "Dead Skin Mask"
16) "Rainning Blood"
17) "South Of Heaven"
18) "Angel Of Death"
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